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27/09/2011

É bela mas é fera: é a favela


Por: Coré-Etuba M. da Luz




Bom dia a todos.

Recebi de uma colega um texto falando sobre as favelas, com muitas fotos. As imagens são muito interessantes. O que estava estava escrito de certa forma também, embora não tenha me trazido nenhuma novidade, já que sou estudioso do assunto desde sempre. Não por outro motivo vim morar em uma favela da Zona Sul de Curitiba, pra unir teoria e prática.

Reparto com vocês o que recebi, e depois a resposta que enviei a ela. Começando pelo texto sobre as favelas, em itálico [...]. Vamos lá.


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FAVELA, COMO HOJE CONHECEMOS, E SUA ORIGEM


Você já parou para pensar qual o motivo de chamarmos os bairros pobres e sem infraestrutura de "FAVELAS"? Eu sempre achei que fosse um nome indígena ou qualquer coisa assim,mas a história é bem mais interessante que isto.
O origem do nome "FAVELA" remete a um fato marcante ocorrido no Brasil na passagem do século XIX para o século XX: a Guerra de Canudos.
A Favela (Cnidoscolus
phyllacanthus) -
família das EUPHORBIACEAE 
Na Caatinga nordestina, é muito comum uma planta    espinhenta e extremamente resistente chamada "FAVELA".
Entre 1896 e 1897, liderados por Antônio Conselheiro,   milhares de sertanejos cansados da humilhação e dificuldades  de sobrevivência num Nordeste tomado de latifúndios  improdutivos e secas, criam a cidadela de Canudos, no interior da Bahia, revoltando-se contra a situação calamitosa em que viviam.
Em Canudos, muitos sertanejos se instalaram nos arredores do "MORRO DA FAVELA", batizado em homenagem a esta planta. Hoje há uma estátua de Conselheiro protegendo Nova Canudos, pra onde foram transferidos os moradores da Canudos original, alagada pra construção de um açude.
Mapa-Canudos-BA
Com medo de que a revolta minasse as bases da República recém instaurada, foi realizado um verdadeiro massacre em Canudos, com milhares de mortes, torturas e estupros em massa, num dos mais negros episódios da história militar brasileira, feito com maciço apoio popular.
Estátua em Canudos-BA

Quando os soldados republicanos voltaram ao Rio de Janeiro, deixaram de receber seus soldos, e por falta de condições de vida mais digna, instalaram-se em casas de madeira sem nenhuma infraestrutura em morros da cidade (o primeiro local foi o atual "Morro da Providência"), ao qual passaram a chamar de "FAVELA", relembrando as péssimas condições que encontraram em Canudos.
Este tipo de sub-moradia já era utilizado a alguns anos pelos escravos libertos, que sem condições financeiras de viver nas cidades, passaram também a habitar as encostas. O termo pegou e todos estes agrupamentos passaram a chamar-se FAVELAS.
Alto da favela Canudos-BA

Canudos antiga











Mas existem vários "MITOS" sobre as Favelas que precisam ser avaliados...
30 maiores favelas do Mundo
01 - Costumamos achar que as maiores Favelas do mundo encontram-se no Brasil, mas é um engano. Nenhuma comunidade brasileira aparece entre as 30 maiores do Mundo. México, Colômbia, Peru e Venezuela lideram o Ranking, em mais um triste recorde para a América Latina.
Maior favela do mundo
Neza-México
Segundo algumas fontes, a Favela de NEZA, nas  proximidades da Cidade do México, é a Maior do Mundo, com mais de 2,5 milhões de Habitantes



 02 - Outro engano comum é achar que as Favelas são um fenômeno "terceiro-mundista", restrito a países subdesenvolvidos ou emergentes. Apesar de em quantidade bem menor, países desenvolvidos como Espanha também tem suas Favelas, chamadas por lá de "Chabolas".
Chabolas-Madrid


03 - E um terceiro mito é o de que as Favelas apenas 
aumentam, não importa o que o governo faça. A especulação imobiliária e planos governamentais já acabaram com algumas favelas, mesmo no Rio de Janeiro. 
O caso mais famoso é o da Favela da Catacumba, ao lado da Lagoa Rodrigo de Freitas, que foi extinta em 1970. A Favela do Pinto também é um outro exemplo.



ORIGEM DOS NOMES DE ALGUMAS FAVELAS DO RJ

Babilônia-RJ

Babilônia
A vegetação exuberante e a vista privilegiada de Copacabana levou os moradores a compararem o local com os "Jardins Suspensos da Babilônia".





Rocinha-RJ


Rocinha
Nos anos 30, após a crise da Bolsa de 1929 que levou vários produtores de café à bancarrota, o terreno da Fazenda Quebra-Cangalha foi invadido e dividido em pequenas chácaras, que vendiam sua produção na Praça Santos Dumont, responsável pelo abastecimento de toda a Zona Sul da cidade. Quando os clientes perguntavam de onde vinham os legumes, diziam: "É de uma tal Rocinha lá no Alto da Gávea"



Mangueira-RJ

Mangueira
Nos anos 40, na entrada da trilha de subida do Morro, que na época ainda era coberto pela mata, foi colocada uma placa que dizia: "Em breve neste local, Fábrica de Chapéus Mangueira". A fábrica nunca foi construída, mas a placa permaneceu, batizando uma das mais emblemáticas comunidades cariocas.

Vidigal
Morro do Vidigal
Em homenagem ao dono original do terreno onde hoje se localiza a Favela, o Major Miguel Nunes Vidigal, figura muito influente durante o Império.



“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou por sua religião. Pra odiar, as pessoas precisam aprender, e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”
Nelson Mandela”
Aqui se encerra o que já recebi pronto da internet. Daqui pra baixo é minha resposta, e mais uma vez e sempre, mesmo o que estiver em itálico é de minha autoria.
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Gostei das fotos das favelas cariocas e espanholas. Já o texto não me trouxe qualquer novidade, ao contrário, tudo que dizia lá eu já sabia, e ainda posso acrescentar e fazer retificações. 
Sabia que favela é uma planta do sertão nordestino, sabia que o Morro da Providência (Zona Central do Rio) é a primeira favela brasileira, surgida em 1897, se não me engano, e sabia que tanto a nomenclatura 'favela' quanto o surgimento da própria se deve a volta dos soldados que combateram Antônio Conselheiro. E que a primeira favela se chamava, bem, “Morro da Favela”. Algumas versões dão conta que os soldados inclusive trouxeram mudas de favela, e plantaram elas nos morros do Rio.

Morro Providência-RJ -
1ª favela do Brasil
Morro Providência-RJ - hoje
Tudo isso o texto já informou. Vamos ao que ele não informou. Por que a primeira favela, primeiro “Morro da Favela”, e atual Morro da Providência, se instalou nesse local, e por que tem esse nome? Eu lhe digo: quem conhece o Centro do Rio sabe que essa favela, primeira do Brasil, se localiza em frente a estação de trem Central do Brasil, imortalizada no filme homônimo, ponto final das composições que diariamente trazem centenas de milhares de trabalhadores dos subúrbios, as Zonas Oeste, Norte e a Baixada Fluminense.

No mesmo local está o prédio do que hoje é o Comando Militar do Leste do Exército Brasileiro. No final do século 19, entretanto, o prédio tinha uma importância maior que atualmente. O Rio era a capital, e no local era a sede de todo o Exército, não apenas de um comando regional, que abrange apenas os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, e sem incluir o Triângulo Mineiro.

Era a sede então do Ministério da Guerra, a cúpula militar do país, hoje em Brasília. E os soldados que regressavam da Bahia estavam desempregados e sem-teto. Por isso acamparam em frente ao comando geral, pra pressionar o governo. E por isso o nome Morro da Providência, pois eles exigiam providências do exército. Bem, a única providência que veio foi o local adotar esse nome, a favela ainda está no mesmo local onde surgiu.

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Outra coisa. Sei também que a cultura popular incha o número de habitantes da Rocinha. Alguns falam em meio milhão de habitantes, o que é notoriamente impossível. O município do Rio de Janeiro abriga perto de 6 milhões de pessoas. Basta você olhar um mapa da cidade é verá que a Rocinha não ocupa nem 1% da área urbanizada da cidade. Então obviamente não há como abrigar quase 10% de sua população. Sim, ela é densamente habitada, mas também o é a maior parte do Rio. Os subúrbios das Zonas Norte e Oeste são formigueiros humanos, e as Zonas Sul e Central também são densas, pela grande quantia de prédios.

Eu diria que 100 mil habitantes é um número bem mais próximo da realidade, que podemos aceitar, agora, meio milhão é um despropósito, que só mostra debilidade mental de quem repete absurdos sem raciocinar. A Rocinha não é sequer a maior favela do Rio, quanto mais do mundo. As Favelas da Maré e do Alemão (complexos de favelas, na verdade), ambas na Zona Norte, são maiores.

E também sei há muito que as favelas brasileiras não são as maiores do mundo.
Se você for na Zona Sul de Bogotá ou nas Zona Norte e Leste de Medellin, verá complexos de favelas que colocam a Rocinha, a Maré e o Alemão no Chinelo. Há 4 ou 5 Rocinhas enfileiradas nesses locais, como já escrevi. E não precisa ir pessoalmente a outro país, basta estudar o assunto. Nem começamos a falar da Índia, por exemplo. Nunca fui a Ásia, mas sei por fotos que as favelas da Índia são gigantescas, superam fácil a marca de um milhão de habitantes.

Quanto há Europa, também não é me segredo que há favelas por lá. Madri, Paris, Roma, Lisboa, todas elas têm favelas, embora menores que aqui. Em Lisboa são tantas que já as localizei no Google Mapas, já andei nelas pelo modo de visão de rua.

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Sobre o terceiro mito, 'de que as favelas só aumentam', se alguém crê nisso só pode ser débil mental. As favelas são um termômetro da sociedade, e seu aumento ou diminuição refletem se a sociedade está ou não dando atenção a área social. 

Aqui em Curitiba, por exemplo, as favelas aumentaram exponencialmente nas décadas de 70, 80 e 90. Não por acaso, claro, acabei de dizer que o aumento das favelas é consequência de escolhas políticas que uma sociedade faz, e não um fenômeno natural e inevitável.

Senão vejamos. Esse período de 3 décadas foi extremamente confuso em nosso país. A década de 70 foi o pico da repressão política. O governo só estava interessado em matar e torturar, assim nada mais natural que nossas cidades se tornassem mais feias. Os anos 80 foram a transição, veio o malfadado Sarney, e a confusão foi geral, tumulto que prosseguiu nos anos 90, quando veio Collor (deu no que deu, todos se lembram). Eram épocas de inflação altíssima, e claro que a destruição só poderia florescer em ambiente tão nefasto.

A seguir veio FHC. Fez excelente trabalho ao domar a inflação, e embora eu seja lulista (mas não sou petista, ao contrário, me oponho a Dilma e votei nulo, como escrevi muitas vezes) reconheço isso, pois não sou partidário ou sectário nem adepto de 'patriotadas' de qualquer tipo. Mas na área social FHC foi um desastre, continuou com a mentalidade das elites (casa grande & senzala) que havia vigorado em nosso país desde sempre, prosseguindo com o mesmo descaso as classes populares que já haviam caracterizado as eras militar, Sarney e Collor. Assim nada mais natural que as invasões de terras continuassem 'crescendo e se multiplicando'.

Em Curitiba tudo isso foi agravado pelo fato dos anos 90 terem sido o pico da lavagem cerebral que dizia ser aqui tudo de “1º mundo”, propaganda grotesca de tão mentirosa, asquerosa no melhor sentido do termo, e que acabou por cegar a enlouquecer a consciência da cidade, sendo a causa da hiper-violência (sobe o que já escrevi com detalhes anteriormente) que enfrentamos hoje. Então a consequência lógica seria mesmo o aumento das favelas.

Em São Paulo e outras capitais do Sudeste o ciclo que inchou as favelas começou antes, nos anos 60 já haviam enormes invasões nessas cidades. Mas com algumas adaptações o que escrevi aqui continua válido.

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Só que na última década o fluxo se inverteu. Nesses últimos 10 anos as favelas diminuíram, em Curitiba, São Paulo e diversas outras cidades. Pois nossa civilização brasileira se deu conta que não adianta apenas reprimir, as favelas estão aí e vieram pra ficar, então é preciso integrá-las à cidade. Então muitas das piores áreas estão sendo urbanizadas, quando possível, ou removidas pra locais habitáveis, quando irremediavelmente insalubres. É fato.

Se você mora em São Paulo, repare que algumas das piores favelas que existiam nas ilhas da Marginal Tietê já desapareceram, inclusiva a maior invasão da Zona Central, a antiga Favela do Gato, no Bom Retiro, é agora um conjunto civilizado de prédios. O mesmo vale pra região da Berrini, bem, os mais velhos lembram nitidamente do famoso 'Buraco Quente' que ocupava toda a várzea do córrego Água Espraiada, onde hoje é uma avenida, e as favelas que permaneceram estão também sendo retiradas. A maior delas, na esquina com a Marginal, já se foi.

Em Curitiba ocorre o mesmo, algumas das piores favelas como as Vilas Capanema (Z/C), Parolin (também Z/C), Zumbi (Z/N metropolitana), Holandês (Z/L metropolitana), todo os complexos do Cajuru, Uberaba e Bairro Alto (Z/L), Terra Santa, Xapinhal e Osternack (todas na Z/S), Sandra, Barigui e Conquista (Z/O), entre muitos outros, podia citar dezenas, foram ou estão sendo urbanizados. Ainda há muito por fazer, certamente. Mas está sendo feito. 

As favelas, em Curitiba e todo o país, diminuíram muito na última década, só mentes infantis, que se apegam as suas próprias visões distorcidas, podem crer que 'as favelas aumentam o tempo todo, geometricamente'.

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Uma curiosidade: o autor fez um texto sobre as favelas cariocas, e o encerrou citando Nélson Mandela, o famoso ativista negro sul-africano, líder da luta que acabou com o odioso regime de 'apartheid' implantado pela covarde (nisso como em tudo) raça anglo-holandesa na África do Sul. Bem, Nélson Mandela é o nome de uma favela no Rio, na Zona Norte, se não me engano perto do complexo de favelas chamado Faixa de Gaza (o nome já diz tudo), que se não me engano novamente é em Irajá, perto do Ceasa.

Talvez o autor nem conheça a Favela Nélson Mandela, já que ele não conhece sequer a Favela Chapéu-Mangueira, na Zona Sul, confundindo-a com a Mangueira original da Zona Norte. Falarei disso abaixo. E olhe que Chapéu-Mangueira é muito mais famosa, pois é quase a beira-mar, no Leme, que é como chama o começo de Copacabana, praia mais famosa não só do Rio como do Brasil, e uma das mais famosas do mundo.Quando o Chapéu-Mangueira se expande, o Leme se recolhe. Sabem o que quero dizer com isso. O mesmo vale pra vizinha Babilônia.

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Por fim, uma retificação importante. O [texto] que recebi diz que a origem do nome do Morro da Mangueira (na Zona Norte do Rio, próxima ao Maracanã) é uma placa “Breve fábrica de Chapéus Mangueira”. É um erro grotesco. O nome Mangueira se deve a que o morro, bem, tinha muitas mangueiras. Então se instalou no local a fábrica de chapéus Mangueira. O morro nomeou a indústria, e não a indústria ao morro. Se instalou de fato, não houve placa alguma. Isso na Favela da Mangueira original, Zona Norte. Ficava atrás da fábrica que existiu, e não atrás de uma placa anunciando construção fictícia.

E o futebol comprova que a fábrica de chapéus Mangueira foi muito mais que uma placa. É sabido entre os que apreciam esse esporte que o Flamengo, time mais popular do Brasil e do mundo, venceu seu primeiro jogo por expressivos 16x2. Não, não errei na digitação, foi dezesseis a dois mesmo. Qual era o adversário? Um clube chamado Mangueira. E quem eram os jogadores desse clube? Ninguém menos que os operários da fábrica de chapéus Mangueira, que na Zona Norte não só existiu como tinha até um time de futebol – embora de qualidade duvidosa, convenhamos que saldo negativo de 14 em um jogo só é demais. O que quero enfatizar aqui é que a fábrica existiu, o autor confundiu com uma favela da Zona Sul, como explico abaixo.

No Leme, há a Favela Chapéu-Mangueira. Essa sim tem origem na placa. A fábrica, que existiu de fato, com sede na Zona Norte, ia abrir uma filial na Zona Sul. Colocou a placa. Atrás dela surgiu a favela. Ali sim a indústria nunca saiu do papel. Antes de ler a história, sempre soube que tinha que ter uma ligação entre as favelas do Morro da Mangueira, Zona Norte, e do Morro do Chapéu-Mangueira, Zona Sul. E de fato há. Quem escreveu esse texto apenas confundiu as duas favelas, talvez nem conheça a Favela do Chapéu-Mangueira, Leme, Zona Sul, que eu conheço desde sempre.

Pra finalizar, também conhecia a finada Favela da Catacumba, sei que foi ela quem originou boa parte da famosa Cidade de Deus, Jacarepaguá, Zona Oeste. Sua remoção deu esperança a classe média que pretendia acabar com a Rocinha (Gávea-São Conrado), Vidigal (São Conrado), Babilônia (Leme), Chapéu-Mangueira (Leme), Parque da Cidade (Gávea), Chácara do Céu (Gávea-Leblon), Morro Azul (Flamengo), Cantagalo (Ipanema), Tabajaras (Copacabana), Cabritos (Copacabana), Pavão-Pavãozinho (Ipanema-Copacabana), Santa Marta (Botafogo) e todas as outras favelas da Zona Sul.

Favela Catacumba-RJ - removida

Anúncios de prédios chegaram a circular com imagens de onde é a Rocinha sem a favela, com a área já reflorestada, pois a burguesia ansiava em ver a Zona Sul livre dos irmãos 'indesejáveis'. Não deu certo. A Catacumba foi a primeira e única grande favela retirada da orla. As outras estão lá até agora.



É isso aí. Assim é a favela. É bela mas é fera, como já definiu o 'rap'.



Que Deus ilumine a todos.
Deus proverá”

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